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Fuga? Certo que não. Não costumo fugir, costumo matar, tenho vontade de matar e isso que livra da pena. Tenho vontade de excretar cadáveres, que problema há nisso? Perigoso é misturar café com cogumelos. Sou como Laura, gosto de ver tudo do seu córtex. Tomei vodka e vergonha na cara, por isso estou escrevendo.
Que se explodam os bares, os inferninhos urbanos, as conexões, os desencontros. Hoje eu quero vomitar cadáveres e é isso que irei fazer agora. Não gosto de falar muito, ao menos escrever demais. Se minhas palavras lhe parecerem borradas, chame um encanador. Isso porque eu quero matar um encanador hoje.
O destino da matéria é a colisão. Qualquer parte que lhe contenha deseja um dia colidir com qualquer outra partícula ou radiação de partícula que esteja em sua órbita. Partículas de tempo se colidem... isso é o dito "Deja Vù", buracos de tempo-espaço que surgem a qualquer hora em qualquer lugar do mundo. O futuro pode ser passado, mas o passado nunca poderá ser futuro, ou não. Mas, se esse "ou" fosse possível, o existir seria uma grande confusão. Estaríamos existindo, co-existindo e não existindo... prefiro não querer esse destino de viver, ainda quero encontrar nessa matéria que me contém, uma colisão na órbita do sentido... ou da confusão.
Se não houvessem colisões, não haveriam curvas no mundo. E toda a minha luta, meu desejo, ou qualquer outro suspiro, seria, indiretamente, consecutivamente...
um desejo de colisão!

Qualquer descaso que houver diante de um grito ou de silêncio compartilharemos. A serenidade é a demonstração mais clara do que seja prazer... aonde estiver, me chame para um café e eu lá estarei.